Mostrando postagens com marcador análise do poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador análise do poema. Mostrar todas as postagens
sábado, 25 de julho de 2009
tisaura - 1993
Marcadores:
análise do poema,
bere lucas,
Beré Lucas,
bom jesus do galho,
poesia,
tisaura
sexta-feira, 17 de julho de 2009
chicotinho queimado
chicotinho queimado
(análise da poesia)

chicotinho queimado
uma cobra coral escorria
toda banhada de cores
escorregando escondida
feito criança que brinca
atenta aos pormenores
o céu todo cismado
e azul de tanto pensar
vasculhava nas gavetas
das nuvens pra encontrar
as cores do arco-íris
que alguém pegou pra brincar
1. Considerações sobre o poema
....... Quando lecionávamos para o curso de magistério, ao
trabalhar a poesia infantil, tínhamos um cuidado todo espe-
cial em abordar este tipo de poesia.
....... Numa dessas ocasiões tivemos contato com a poesia
"a cobra e a rolinha", da poetisa Francisca Júlia.
A COBRA E A ROLINHA
A rolinha fez seu ninho
Para seus ovos chocar.
Veio a cobra e os comeu,
A rola pôs-se a chorar!
Cale a boca, minha rola,
Que eu a cobra eu vou matar.
Os ovos que ela comeu
Ela há de me pagar.
....... Observamos que a autora abordava o tema de maneira
pouco criativa. Pior, encontramos por parte da autora uma
atitude punitiva para com o réptil. A cobra, de modo geral
é vista como um animal peçonhento e venenoso.
....... A autora do poema lança mão dessa visão, para punir
aquela que rouba os ovos da rola e por isso tem que pagar.
Tanto é verdade que o "eu-lírico" da autora assume as
dores da rola e se manifesta de uma maneira até mesmo
absurda: "que a cobra eu vou matar" e "ela há de me pagar".
....... Diante disso, por não concordarmos com a temática
dessa autora, nos sentimos na obrigação de fazer uma nova
abordagem estética e ideológica desse poema.
Daí, escrevermos "chicotinho queimado".
2. Levantamento vocabular
Chicotinho queimado. Brincadeira comum entre as crianças
que consiste em esconder um objeto, para que ele seja
encontrado.
Cobra s.f. 1-réptil de corpo fino, coberto de placas cornéas,
venenoso ou não.
Coral s.m. cobra de pequeno porte, colorida por anéis.
Escorrer v.t. fazer correr (líquido).
Banhada adj. molhada, viscosa.
Escorregar v.t. 1. fazer deslizar, resvalar. 3. dar às escondidas;
passar furtivamente.
Esconder v.t. 1. por em lugar oculto, disfarçar, dissimular,
desaparecer, ocultar-se.
Pormenor s. particularidade, minúscia, miudeza.
Cismar v.t. pensar muito, se preocupar, desconfiar.
Vasculhar v.t.d. pesquisar, investigar.
Encontrar v.t.d. 1. deparar com, achar, achar em certo lugar.
Arco-íris s.m fenômeno resultnte d dispersão da luz solar
em gotículas suspensas na atmosfera, e observado como
um conjunto de arcos de circunferência coloridos com as
cores do espectro solar.
3. Análise do poema
...... Esteticamente, fizemos, na primeira estrofe, o uso da
sinestesia, para que o leitor fosse envolvido, não só
visualmente, mas também pela audição. Tanto isso é
verdade que a seleção vocabular repete a consoante c
(cobra, coral, escorria, cores, escorregando, escondida)
e a consoante r nestes mesmos vocábulos.
. Ao todo temos seis consoantes c e sete consoantes
r, o que reforça a nossa intencionalidade.
...... O uso dessas consoantes nos remete ao barulho produzido
pela cobra ao rastejar.
...... A cobra propositalmente foi humanizada e adquire atitude
de uma criança que brinca, "atenta aos pormenores", ou seja,
prestando atenção em tudo.
...... Despido do arco-íris, o céu fica todo cismado e como se
participasse da brincadeira do chicotinho queimado, vasculha
na gaveta das nuvens, para encontrar o objeto escondido, no
caso o arco-íris.
...... Para criar um clima de mistério, fizemos uso do pronome
indefinido alguém. O que reforça o clima da brincadeira,
imposto por esse tipo de jogo.
...... Ao contrário do poema de Francisca Júlia, punitivo, repres-
sivo, tentamos criar um clima de descontração, jogo, lúdismo,
e humanização afetuosa para com este réptil tão desdenhado.
(análise da poesia)

chicotinho queimado
uma cobra coral escorria
toda banhada de cores
escorregando escondida
feito criança que brinca
atenta aos pormenores
o céu todo cismado
e azul de tanto pensar
vasculhava nas gavetas
das nuvens pra encontrar
as cores do arco-íris
que alguém pegou pra brincar
1. Considerações sobre o poema
....... Quando lecionávamos para o curso de magistério, ao
trabalhar a poesia infantil, tínhamos um cuidado todo espe-
cial em abordar este tipo de poesia.
....... Numa dessas ocasiões tivemos contato com a poesia
"a cobra e a rolinha", da poetisa Francisca Júlia.
A COBRA E A ROLINHA
A rolinha fez seu ninho
Para seus ovos chocar.
Veio a cobra e os comeu,
A rola pôs-se a chorar!
Cale a boca, minha rola,
Que eu a cobra eu vou matar.
Os ovos que ela comeu
Ela há de me pagar.
....... Observamos que a autora abordava o tema de maneira
pouco criativa. Pior, encontramos por parte da autora uma
atitude punitiva para com o réptil. A cobra, de modo geral
é vista como um animal peçonhento e venenoso.
....... A autora do poema lança mão dessa visão, para punir
aquela que rouba os ovos da rola e por isso tem que pagar.
Tanto é verdade que o "eu-lírico" da autora assume as
dores da rola e se manifesta de uma maneira até mesmo
absurda: "que a cobra eu vou matar" e "ela há de me pagar".
....... Diante disso, por não concordarmos com a temática
dessa autora, nos sentimos na obrigação de fazer uma nova
abordagem estética e ideológica desse poema.
Daí, escrevermos "chicotinho queimado".
2. Levantamento vocabular
Chicotinho queimado. Brincadeira comum entre as crianças
que consiste em esconder um objeto, para que ele seja
encontrado.
Cobra s.f. 1-réptil de corpo fino, coberto de placas cornéas,
venenoso ou não.
Coral s.m. cobra de pequeno porte, colorida por anéis.
Escorrer v.t. fazer correr (líquido).
Banhada adj. molhada, viscosa.
Escorregar v.t. 1. fazer deslizar, resvalar. 3. dar às escondidas;
passar furtivamente.
Esconder v.t. 1. por em lugar oculto, disfarçar, dissimular,
desaparecer, ocultar-se.
Pormenor s. particularidade, minúscia, miudeza.
Cismar v.t. pensar muito, se preocupar, desconfiar.
Vasculhar v.t.d. pesquisar, investigar.
Encontrar v.t.d. 1. deparar com, achar, achar em certo lugar.
Arco-íris s.m fenômeno resultnte d dispersão da luz solar
em gotículas suspensas na atmosfera, e observado como
um conjunto de arcos de circunferência coloridos com as
cores do espectro solar.
3. Análise do poema
...... Esteticamente, fizemos, na primeira estrofe, o uso da
sinestesia, para que o leitor fosse envolvido, não só
visualmente, mas também pela audição. Tanto isso é
verdade que a seleção vocabular repete a consoante c
(cobra, coral, escorria, cores, escorregando, escondida)
e a consoante r nestes mesmos vocábulos.
. Ao todo temos seis consoantes c e sete consoantes
r, o que reforça a nossa intencionalidade.
...... O uso dessas consoantes nos remete ao barulho produzido
pela cobra ao rastejar.
...... A cobra propositalmente foi humanizada e adquire atitude
de uma criança que brinca, "atenta aos pormenores", ou seja,
prestando atenção em tudo.
...... Despido do arco-íris, o céu fica todo cismado e como se
participasse da brincadeira do chicotinho queimado, vasculha
na gaveta das nuvens, para encontrar o objeto escondido, no
caso o arco-íris.
...... Para criar um clima de mistério, fizemos uso do pronome
indefinido alguém. O que reforça o clima da brincadeira,
imposto por esse tipo de jogo.
...... Ao contrário do poema de Francisca Júlia, punitivo, repres-
sivo, tentamos criar um clima de descontração, jogo, lúdismo,
e humanização afetuosa para com este réptil tão desdenhado.
Marcadores:
análise do poema,
bere lucas,
Beré Lucas,
chicotinho queimado,
poesia infantil
sábado, 4 de julho de 2009
o dado doido do duda - 1978
o dado doido do duda - 1978
(análise do poema)

o dado doido do duda
feito pra só letrar
gira feito doido
adoidado
dá E aqui
U acolá
tropeça no I
escorrega no A
e se esconde no O
1. O título do poema faz referência a um brinquedo muito comum
entre as crianças: dado (sm. Peça cúbica marcada em cada uma das
faces com pontos de 1 a 6, usada em certos jogos; geralmente o
dado pode ser de plástico, madeira, osso, etc.).
2. O dado do poema é doido: doido (extravagante, arrebatado).
3. Duda: apelido carinhoso e afetivo atribuído a uma criança.
4. Intencionalmente tivemos o cuidado de fazer uso da aliteração
(repetição da mesma consoante d), para alcançarmos o efeito de
musicalidade e da assonância (repetição das vogais a e o), para
conseguirmos este mesmo efeito, no título do poema.
5. A repetição do título no primeiro verso do poema, reforça a
intencionalidade de aliteração e assonância, reforçando ainda mais
a idéia de musicalidade do poema.
6. O dado foi feito pra só letrar (só dar letras) e não para soletrar
(v.t.d. 1. Ler pronunciando separadamente as letras e juntando-as em
sílabas. 2. Ler devagar ou em partes. 3. Ler por alto; ler mal.).
7. O dado gira (v.int. 1. Andar em roda ou em giro. 2.
Andar de um lado para outro. 3. Circular.) feito doido,
ou seja, este dado se movimenta de maneira arrebatada,
sem regras de direção pré estabelecidas. O dado age
feito uma criança.
8. adoidado (adj. Meio doido; amalucado). Tal qual uma criança,
o dado pratica suas peripécias, sem uma lógica comum entre os
adultos, lógica previsível.
9. dá (dar v.t.d. 1. Presentear, doar. 2. Conceder; oferecer.)
E aqui. Essa ação do dado reforça a intencionalidade de presença
constante da criança enquanto ser, leia-se: eu sou, tu és, ele ou ela
(criança) é.
10. U acolá (adv. 1. Em lugar afastado de quem fala e da
pessoa com quem se fala; lá longe. 2. Para aquele lugar; para
mais adiante.). Assim como a criança, o dado se desloca sem
previsão nos mais variados espaços, desobedecendo a lógica
do ficar quieto dos adultos.
11. tropeça (tropeçar v.t.i. 1. Dar com pé involuntariamente.
2. Encontrar empecilho inesperado) no I. A vogal i assume
visualmente este obstáculo. O dado, como a criança, vive
tropeçando nas coisas da casa e da vida.
12. escorrega (v.int. 1. Deslizar com o próprio peso; resvalar.
2. Ser escorregadio.). no A. Visualmente a vogal a nos remete
a forma do brinquedo escorregador, tão apreciado pela criança.
13. e se esconde (esconder v.t.d. 1. Por em lugar oculto; ocultar.
2. Não revelar. 3. Disfarçar.) no o. Visualmente o o nos remete a
um buraco ou esconderijo, onde a criança se esconde, após aprontar
as suas peripécias.
14. Os verbos usados no poema (fazer, letrar, dar, tropeçar,
escorregar e esconder) são pertinentes e constantes na vida de
uma criança.
15. Observamos que este dado, ao contrário do dado geométrico,
é doido, porque ele só possui cinco lados e é fruto da imaginação
poética. A confecção deste dado, no mundo real, é impossível.
16. Para reforçar o aspecto lúdico do poema, que não tem intenção
nenhuma de alfabetizar, carnavalizamos a ordem do A E I O U.
Vejamos: No poema a ordem subvertida é E U I A O.
17. Finalizando. No nosso entender a poesia, para a criança, deve
estar carregada de uma forte musicalidade e ludismo. Caso contrário
a poesia para a criança perde a sua função social, se estiver voltada
para aspectos dogmáticos, patrióticos, moralistas e comportamental.
Neste poema o recurso de humanização aumenta a carga poética do
texto, pois ficamos sem saber se o dado é o duda, ou se o duda é o dado.
O que observamos é uma simbiose entre o brinquedo e o menino, e o
menino e o brinquedo.
(análise do poema)

o dado doido do duda
feito pra só letrar
gira feito doido
adoidado
dá E aqui
U acolá
tropeça no I
escorrega no A
e se esconde no O
1. O título do poema faz referência a um brinquedo muito comum
entre as crianças: dado (sm. Peça cúbica marcada em cada uma das
faces com pontos de 1 a 6, usada em certos jogos; geralmente o
dado pode ser de plástico, madeira, osso, etc.).
2. O dado do poema é doido: doido (extravagante, arrebatado).
3. Duda: apelido carinhoso e afetivo atribuído a uma criança.
4. Intencionalmente tivemos o cuidado de fazer uso da aliteração
(repetição da mesma consoante d), para alcançarmos o efeito de
musicalidade e da assonância (repetição das vogais a e o), para
conseguirmos este mesmo efeito, no título do poema.
5. A repetição do título no primeiro verso do poema, reforça a
intencionalidade de aliteração e assonância, reforçando ainda mais
a idéia de musicalidade do poema.
6. O dado foi feito pra só letrar (só dar letras) e não para soletrar
(v.t.d. 1. Ler pronunciando separadamente as letras e juntando-as em
sílabas. 2. Ler devagar ou em partes. 3. Ler por alto; ler mal.).
7. O dado gira (v.int. 1. Andar em roda ou em giro. 2.
Andar de um lado para outro. 3. Circular.) feito doido,
ou seja, este dado se movimenta de maneira arrebatada,
sem regras de direção pré estabelecidas. O dado age
feito uma criança.
8. adoidado (adj. Meio doido; amalucado). Tal qual uma criança,
o dado pratica suas peripécias, sem uma lógica comum entre os
adultos, lógica previsível.
9. dá (dar v.t.d. 1. Presentear, doar. 2. Conceder; oferecer.)
E aqui. Essa ação do dado reforça a intencionalidade de presença
constante da criança enquanto ser, leia-se: eu sou, tu és, ele ou ela
(criança) é.
10. U acolá (adv. 1. Em lugar afastado de quem fala e da
pessoa com quem se fala; lá longe. 2. Para aquele lugar; para
mais adiante.). Assim como a criança, o dado se desloca sem
previsão nos mais variados espaços, desobedecendo a lógica
do ficar quieto dos adultos.
11. tropeça (tropeçar v.t.i. 1. Dar com pé involuntariamente.
2. Encontrar empecilho inesperado) no I. A vogal i assume
visualmente este obstáculo. O dado, como a criança, vive
tropeçando nas coisas da casa e da vida.
12. escorrega (v.int. 1. Deslizar com o próprio peso; resvalar.
2. Ser escorregadio.). no A. Visualmente a vogal a nos remete
a forma do brinquedo escorregador, tão apreciado pela criança.
13. e se esconde (esconder v.t.d. 1. Por em lugar oculto; ocultar.
2. Não revelar. 3. Disfarçar.) no o. Visualmente o o nos remete a
um buraco ou esconderijo, onde a criança se esconde, após aprontar
as suas peripécias.
14. Os verbos usados no poema (fazer, letrar, dar, tropeçar,
escorregar e esconder) são pertinentes e constantes na vida de
uma criança.
15. Observamos que este dado, ao contrário do dado geométrico,
é doido, porque ele só possui cinco lados e é fruto da imaginação
poética. A confecção deste dado, no mundo real, é impossível.
16. Para reforçar o aspecto lúdico do poema, que não tem intenção
nenhuma de alfabetizar, carnavalizamos a ordem do A E I O U.
Vejamos: No poema a ordem subvertida é E U I A O.
17. Finalizando. No nosso entender a poesia, para a criança, deve
estar carregada de uma forte musicalidade e ludismo. Caso contrário
a poesia para a criança perde a sua função social, se estiver voltada
para aspectos dogmáticos, patrióticos, moralistas e comportamental.
Neste poema o recurso de humanização aumenta a carga poética do
texto, pois ficamos sem saber se o dado é o duda, ou se o duda é o dado.
O que observamos é uma simbiose entre o brinquedo e o menino, e o
menino e o brinquedo.
Marcadores:
análise do poema,
bere lucas,
Beré Lucas,
o dado doido do duda
Assinar:
Postagens (Atom)


